Durante a apresentação em Viseu do seu livro, Mudar, o candidato à liderança do PSD comentou as declarações do comissário espanhol Joaquín Almunia, que na quarta-feira comparou a situação económica de Portugal à da Grécia.
«Podemos combater essas visões que os mercados têm registado e que a Comissão Europeia também tem validado. Mas para isso temos de mostrar alguma coisa e, até à data, ainda não mostrámos nada de palpável. O Governo ainda não conseguiu convencer ninguém de que tem uma estratégia para o país», frisou.
Passos Coelho considerou, em Viseu, que «a situação portuguesa não é igual à da Grécia» e, portanto, «nenhum português terá gostado de ver essa afirmação por parte do comissário».
«Mas não vale a pena estarmos a atirar poeira para os nossos próprios olhos. Há algumas coisas que nos aproximam da Grécia, há outras que nos afastam», afirmou.
Entre as primeiras, apontou o facto de que «Portugal não tem sido rigoroso na maneira como apresenta os números», exemplificando que o ministro das Finanças «há um mês dizia que o défice era um, veio agora dizer que era outro, quando muito provavelmente há um mês atrás o Governo já não desconhecia a verdadeira dimensão do défice».
Um segundo aspecto que aproxima Portugal da Grécia é a taxa de poupança, porque «ao contrário da Espanha e de Itália, que têm taxas brutas de poupança positivas, a Grécia tem uma taxa negativa e Portugal está muito próximo de ter uma taxa nula».
«Um país que não tenha uma poupança bruta positiva não gera excedentes suficientes para pagar os empréstimos que contrai e isso hoje está a acontecer a Portugal», explicou, acrescentando que «quem não consegue gerar o mínimo de poupança só pode investir aquilo que lhe emprestarem do exterior».
Segundo Passos Coelho, «só a elevação dos juros que o Estado vai ter de pagar em função desta indisciplina vai obrigar Portugal, este ano, a endividar-se no exterior ainda mais para pagar os juros da dívida que já tem».