"Loriga tem de mudar, Loriga precisa de voltar ao desenvolvimento que teve nos anos 50. Loriga merece ser concelho. Loriga, Alvoco da Serra, Vide, Teixeira, Sazes da Beira, Valezim e Cabeça são as freguesias que irão pertencer ao concelho de Loriga", lê-se na petição que esta semana voltou a colocar a questão na ordem do dia. Pedro Amaro, o primeiro subscritor, garante que "Loriga e a região estão fartas do abandono que Seia nos tem feito ao longo dos anos". António Conde, outro subscritor, lembra que, "desde o famigerado ano de 1855, que Loriga é vítima dos poderes central e municipal".
"Passados 142 anos, a vila e a região continuam a cumprir a pena à qual foram condenadas, como se estivessem a pagar juros", diz outro peticionário. A intenção tem o aval do presidente da junta de freguesia. António Maurício lembra que "há concelhos mais pequenos que a freguesia e seria justo restaurar o concelho, até para ganharmos o desenvolvimento que ainda não temos". O autarca lembra que a vila "dispõe de todas as infra-estruturas que um concelho deve ter", mas reconhece que "apesar de a luta ser justa, dificilmente irá avante até porque cada vez há menos população".
A questão já havia sido retomada em 1997 e na altura os promotores garantiam que "se o concelho de Loriga não for restaurado, em poucas décadas a região estará repleta de aldeias fantasmas". Já então se reconhecia que "em nome de toda a lógica administrativa, democrática e política, o problema tem que ser resolvido. Só assim a região terá futuro". Mas como refere o autarca, "hoje há cada vez menos população".
Juntas, as sete freguesias não somam sequer 3 mil habitantes e a criação de novos concelhos "ou a extinção de municípios não está na ordem do dia", garante o secretário de Estado da Administração Local. José Junqueiro lembra que "a discussão começou no último congresso das freguesias e é uma discussão que terá que ser feita, mas para a qual serão precisos muitos contributos e reflexões". Junqueiro respondia ao presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Paiva que sugeriu a "extinção, por incorporação de muitos concelhos pequenos que não tem dimensão suficiente para alavancar grandes projectos", disse Paulo Marques. Mas para o governante "é uma questão difícil e de muita sensibilidade. Terá que ser discutida mas de forma aberta e ampla, até para não ferir susceptibilidades".